Dr. Ivan Roberto Capelatto

In Memorian

Conheci Pedro no final dos anos 70, através de avaliações de crianças com problemas pedagógicos das diferentes escolas de Campinas. Nos reuníamos frequentemente para a discussão dos casos, geralmente incluindo nessas discussões as pedagogas, psicopedagogas, professoras, fonoaudiólogas e pais envolvidos nesses casos.

Eram reuniões riquíssimas e intensas, indo da neurologia à psicanálise.

Em 1981, Pedro atendeu meu filho mais velho após uma meningite e o acompanhou durante alguns anos, o que nos aproximou ainda mais, agora como cliente e profissional e passamos a discutir mais amiúde meu trabalho essencial como psicanalista, que era o trabalho com crianças autistas e seus pais, motivo inclusive de minha tese de Mestrado.

Esse trabalho nos motivou e nos uniu, o que nos levou a uma compaixão desmedida aos pais de crianças autistas e psicóticas, e, com alguns desses pais, fundamos a ADACAMP – Associação de Pais de Autistas de Campinas, com terreno doado por um de nossos clientes e doações de empresários e admiradores da causa.

Escrevemos muito e discutimos muitos casos, tentando sempre o Diagnóstico Diferencial de cada um deles, mesmo com as poucas informações científicas e as poucas pesquisas que tínhamos acesso na época.

Nos anos 90 a clínica particular se tornou soberana e nos distanciou fisicamente, nos deixando alguns poucos contatos telefônicos para discussão de alguns casos e, no começo dos anos 2000, adoecemos na mesma época, nos encontrando na mesma clínica oncológica para nossas sessões semanais de quimioterapia.

Sua ida significou uma perda profunda para mim, pois não pude terminar algumas coisas que começamos juntos, nem o término da discussão de alguns casos clínicos.

Mas, é certo que nos enriquecemos muito, e certo mais ainda que pudemos enriquecer juntos a vida de muitas famílias em sofrimento com seus pequenos.

por Dr. Ivan Roberto Capelatto