Eletroencefalograma

O termo Eletroencefalograma muitas vezes é usado como sinônimo de eletrencefalograma mas segundo o dicionário Aurélio:

“Significado de Eletrencefalograma: s.m. Representação gráfica da atividade elétrica do cérebro, obtida pelo registro das diferenças de potencial existentes entre as células cerebrais.”

“Significado de Eletroencefalograma: s.m. Eletrencefalograma”

Segundo o dicionário Houaiss:

“Eletrencefalograma: Substantivo masculino, Rubrica: Neurologia. Exame que registra as variações do potencial elétrico do cérebro nos animais e no homem [abrev.:EEG]; eletroencefalograma.”

“Eletroencefalograma: substantivo masculino, Rubrica: neurologia. m.q. Eletrencefalograma”

Eletrencefalograma (EEG)— A atividade elétrica cerebral (AEC) é espontânea (origina-se no cérebro) e contínua (o tempo todo). Assim, está presente durante vigília, sono, anestesia, coma. Deixa de existir nos casos de anóxia (falta de oxigênio) cerebral extrema. Eletrencefalografia compreende o registro e o estudo da AEC. O traçado em que se registra a AEC é o eletrencefalograma e é obtido mediante o emprego de um aparelho denominado eletrencefalógrafo que amplia e registra os potenciais da AEC. Se o traçado é obtido diretamente do córtex cerebral, temos a eletrocorticografia. Os primeiros registros da AEC foram obtidos por Berger entre 1924 e 1929. A AEC é captada por meio de eletrodos distribuídos pelo couro cabeludo (eletrodos ativos) e, geralmente, mais dois outros, um em cada orelha (eletrodos indiferentes). O registro da AEC captada entre dois eletrodos quaisquer, denomina-se derivação. Um conjunto de derivações recebe o nome de montagem. Quando a derivação registra a AEC captada entre dois eletrodos ativos, recebe o nome de derivação bipolar. Se um dos eletrodos é indiferente, ela recebe o nome de monopolar. Na maioria dos serviços, a montagem é a denominada “método 10-20” (calma, eu vou explicar). A realização do EEG é inócua, não dá choque na cabeça, ele pode ser realizado em qualquer idade, pode ser repetido quantas vezes forem precisas no mesmo dia ou ao longo do tratamento. A cabeça deve estar limpa, sem óleos e  seca; o paciente deve estar bem alimentado e, se possível, dormir mais tarde e acordar mais cedo. O eletrencefalograma não se presta para avaliar inteligência nem sanidade mental. Sua grande indicação clínica é no estudo das epilepsias.

Glossário— Quer na descrição do traçado, quer na conclusão do relatório, existem letras, termos ou expressões que devem ser conhecidos em seus significados: 

Fp  =  referente à linha do eletrodo fronto-polar.

F  =  idem para o frontal.  /  C  =  idem para o central.  /  P  =  idem para o parietal  /  T  =  idem para o temporal.  /  O  =  idem para o occipital.

Os eletrodos da linha média são representados pelas letras: Fz,  /  Cz  /  Pz  em que “Z” significa zero.

As letras Cb são empregadas para os eletrodos cerebelares.

Quando se utilizam eletrodos faríngeos (em casos especiais), eles são designados pelas letra Pg.

Os índices (números) pares são usados para designar o hemisfério cerebral direito, por ex., F4,  F8,  C4,  O2,  Cb2. Já os índices ímpares são utilizados para especificar que o eletrodo está aplicado sobre o hemisfério cerebral esquerdo, por ex., F3,  F7,  C3,  O1,  Cb1.

Ritmo a (alfa)— é aquele obtido no adulto normal, acordado, com os olhos fechados, em que aprecem nas regiões posteriores (occipitais ou parietocciitais) ondas com freqüência que se situa entre 8 e 13 c/s (ciclos por segundo). O ritmo alfa é abolido ou atenuado com a abertura dos olhos; este bloqueio do ritmo alfa é conhecido com “reação de parada”.

Ritmo b (beta)— é aquele em que a freqüência se situa entre 14 e 30 c/s. Muitos medicamentos desencadeiam esse ritmo.

Ondas q (teta)— São aquelas cujas freqüências situam-se entre 4 e 7 c/s.

Ondas d (delta)— São aquelas cujas freqüências estão abaixo de 4 c/s.

Ondas lentas— É o nome que se dá para as ondas teta e delta, conjuntamente, ou seja, com freqüência inferior a 8 c/s.

Pontas ou espículas— São ondas pontiagudas, de amplitude elevada, de curta duração (1/12 de segundo).

Atividade irritativa— É o nome que se dá à alteração caracterizada pela presença de pontas.

Polipontas— Refere-se a um grupo de pontas.

Complexos— Diz respeito à associação entre si desses elementos descritos acima, por ex., complexos ponta-onda, poliponta-onda.

Anormalidade— Refere-se a qualquer tipo de alteração presente no traçado.

Anormalidade paroxística— É a que, no traçado, ocorre de tempos em tempos, de vez em quando.

Anormalidade contínua— É aquela que se manifesta ininterruptamente no traçado.

Bilateral— Que ocorre nos dois lados (nos dois hemisférios) do cérebro.

Áreas homólogas— São áreas correspondentes, uma em cada hemisfério cerebral, por ex., frontal direita e sua homóloga frontal esquerda.

Alteração simétrica— São alterações que ocorrem de maneira igual em áreas homólogas; podem traduzir ou não situações de doença (patológicas).

Alterações assimétricas— São alterações que ocorrem de maneira desigual em áreas homólogas e geralmente são patológicas.

Síncrono— Que ocorre ao mesmo tempo.

Hipersincronia— É o nome que se dá à sincronização das descargas individuais dos neurônios, ou seja, as descargas resultantes de cada neurônio isoladamente, são agrupadas para atuarem (agirem) simultaneamente. Em outras palavras, é o resultado da soma das descargas individuais neurônicas.

Difuso— Que ocorre em todas as derivações, por exemplo na síndrome de West ou hipsarritmia.

Focal— Alteração eletrncefalográfica que ocorre em um local. Não existe a doença “foco”. Foco é um termo eletrencefalográfico e significa que a alteração focal é fixa, ou seja, manifesta-se sempre no mesmo local. Deve ser evitado o emprego desse termo para os pacientes porque, com freqüência, eles associam erroneamente a foco infeccioso (pus).

Atividade de fundo— É aquela que traduz a atividade elétrica cerebral de base, excluídos os paroxismos.

Disritmia— O prefixo dis- significa ‘mau estado’, ‘dificuldade’. Assim, disritmia, ao pé da letra, quer dizer, dificuldade ou alteração, ou distúrbio do ritmo, por ex., do coração, do cérebro. Esse termo é funcional, é usado em eletrencefalografia. Não existe a doença disritmia.

Ativação do EEG— Para facilitar o aparecimento das alterações no traçado, podem ser empregados métodos facilitadores. São eles:

1.  Abrir e fechar as pálpebras— Por exemplo, na epilepsia benigna com paroxismos occipitais, as alterações só aparecem com os olhos fechados e desaparecem com eles abertos.

2.  Hiperventilação ou hiperpnéia— É pedido ao paciente que respire seguida e rapidamente por alguns minutos. É um recurso valioso no desencadeamento clínico das crises de ausência permitindo também que surjam, no traçado, as alterações típicas dela. Durante a hiperpnéia e em pessoas jovens, é comum (e normal) uma certa lentificação do traçado (aparecimentos de ondas lentas).

3.  Sono— Existem alterações que aparecem com mais facilidade durante o sono, por ex., as alterações iniciais que surgem na EPBI pois, no começo, podem surgir somente durante o sono.

Fotoestimulação— Consiste em submeter o paciente a um estímulo luminoso intenso, intermitente (10 a 20 lampejos por segundo) por meio de uma lâmpada estroboscópica. É de grande aplicação nos pacientes sujeitos a

1.  abalos mioclônicos. Muita gente descobriu que era convulsivo nos embalos e no lampejar das discotecas.

2.  Percussão dos pés e das mãos com martelinho de borracha— É muito útil para a obtenção de pontas evocadas (pela percussão) nas EPBI.

Observações— (1)  Como regra geral a anormalidade eletrencefalográfica não permite saber o que está produzindo a alteração, isto é, o porquê da anormalidade.  (2)  30 a 40% dos epilépticos possuem EEG normal. (3) Estima-se que 1% da população tenha EEG alterado mas sem crises, isto é, sem epilepsia.

Eletrencefalograma (EEG)— A atividade elétrica cerebral (AEC) é espontânea (origina-se no cérebro) e contínua (o tempo todo). Assim, está presente durante vigília, sono, anestesia, coma. Deixa de existir nos casos de anóxia (falta de oxigênio) cerebral extrema. Eletrencefalografia compreende o registro e o estudo da AEC. O traçado em que se registra a AEC é o eletrencefalograma e é obtido mediante o emprego de um aparelho denominado eletrencefalógrafo que amplia e registra os potenciais da AEC. Se o traçado é obtido diretamente do córtex cerebral, temos a eletrocorticografia. Os primeiros registros da AEC foram obtidos por Berger entre 1924 e 1929. A AEC é captada por meio de eletrodos distribuídos pelo couro cabeludo (eletrodos ativos) e, geralmente, mais dois outros, um em cada orelha (eletrodos indiferentes). O registro da AEC captada entre dois eletrodos quaisquer, denomina-se derivação. Um conjunto de derivações recebe o nome de montagem. Quando a derivação registra a AEC captada entre dois eletrodos ativos, recebe o nome de derivação bipolar. Se um dos eletrodos é indiferente, ela recebe o nome de monopolar. Na maioria dos serviços, a montagem é a denominada “método 10-20” (calma, eu vou explicar). A realização do EEG é inócua, não dá choque na cabeça, ele pode ser realizado em qualquer idade, pode ser repetido quantas vezes forem precisas no mesmo dia ou ao longo do tratamento. A cabeça deve estar limpa, sem óleos e  seca; o paciente deve estar bem alimentado e, se possível, dormir mais tarde e acordar mais cedo. O eletrencefalograma não se presta para avaliar inteligência nem sanidade mental. Sua grande indicação clínica é no estudo das epilepsias.

Glossário— Quer na descrição do traçado, quer na conclusão do relatório, existem letras, termos ou expressões que devem ser conhecidos em seus significados:

Fp  =  referente à linha do eletrodo fronto-polar.

F  =  idem para o frontal.  /  C  =  idem para o central.  /  P  =  idem para o parietal  /  T  =  idem para o temporal.  /  O  =  idem para o occipital.

Os eletrodos da linha média são representados pelas letras: Fz,  /  Cz  /  Pz  em que “Z” significa zero.

As letras Cb são empregadas para os eletrodos cerebelares.

Quando se utilizam eletrodos faríngeos (em casos especiais), eles são designados pelas letra Pg.

Os índices (números) pares são usados para designar o hemisfério cerebral direito, por ex., F4,  F8,  C4,  O2,  Cb2. Já os índices ímpares são utilizados para especificar que o eletrodo está aplicado sobre o hemisfério cerebral esquerdo, por ex., F3,  F7,  C3,  O1,  Cb1.

Ritmo a (alfa)— é aquele obtido no adulto normal, acordado, com os olhos fechados, em que aprecem nas regiões posteriores (occipitais ou parietocciitais) ondas com freqüência que se situa entre 8 e 13 c/s (ciclos por segundo). O ritmo alfa é abolido ou atenuado com a abertura dos olhos; este bloqueio do ritmo alfa é conhecido com “reação de parada”.

Ritmo b (beta)— é aquele em que a freqüência se situa entre 14 e 30 c/s. Muitos medicamentos desencadeiam esse ritmo.

Ondas q (teta)— São aquelas cujas freqüências situam-se entre 4 e 7 c/s.

Ondas d (delta)— São aquelas cujas freqüências estão abaixo de 4 c/s.

Ondas lentas— É o nome que se dá para as ondas teta e delta, conjuntamente, ou seja, com freqüência inferior a 8 c/s.

Pontas ou espículas— São ondas pontiagudas, de amplitude elevada, de curta duração (1/12 de segundo).

Atividade irritativa— É o nome que se dá à alteração caracterizada pela presença de pontas.

Polipontas— Refere-se a um grupo de pontas.

Complexos— Diz respeito à associação entre si desses elementos descritos acima, por ex., complexos ponta-onda, poliponta-onda.

Anormalidade— Refere-se a qualquer tipo de alteração presente no traçado.

Anormalidade paroxística— É a que, no traçado, ocorre de tempos em tempos, de vez em quando.

Anormalidade contínua— É aquela que se manifesta ininterruptamente no traçado.

Bilateral— Que ocorre nos dois lados (nos dois hemisférios) do cérebro.

Áreas homólogas— São áreas correspondentes, uma em cada hemisfério cerebral, por ex., frontal direita e sua homóloga frontal esquerda.

Alteração simétrica— São alterações que ocorrem de maneira igual em áreas homólogas; podem traduzir ou não situações de doença (patológicas).

Alterações assimétricas— São alterações que ocorrem de maneira desigual em áreas homólogas e geralmente são patológicas.

Síncrono— Que ocorre ao mesmo tempo.

Hipersincronia— É o nome que se dá à sincronização das descargas individuais dos neurônios, ou seja, as descargas resultantes de cada neurônio isoladamente, são agrupadas para atuarem (agirem) simultaneamente. Em outras palavras, é o resultado da soma das descargas individuais neurônicas.

Difuso— Que ocorre em todas as derivações, por exemplo na síndrome de West ou hipsarritmia.

Focal— Alteração eletrncefalográfica que ocorre em um local. Não existe a doença “foco”. Foco é um termo eletrencefalográfico e significa que a alteração focal é fixa, ou seja, manifesta-se sempre no mesmo local. Deve ser evitado o emprego desse termo para os pacientes porque, com freqüência, eles associam erroneamente a foco infeccioso (pus).

Atividade de fundo— É aquela que traduz a atividade elétrica cerebral de base, excluídos os paroxismos.

Disritmia— O prefixo dis- significa ‘mau estado’, ‘dificuldade’. Assim, disritmia, ao pé da letra, quer dizer, dificuldade ou alteração, ou distúrbio do ritmo, por ex., do coração, do cérebro. Esse termo é funcional, é usado em eletrencefalografia. Não existe a doença disritmia.

Ativação do EEG— Para facilitar o aparecimento das alterações no traçado, podem ser empregados métodos facilitadores. São eles:

1.  Abrir e fechar as pálpebras— Por exemplo, na epilepsia benigna com paroxismos occipitais, as alterações só aparecem com os olhos fechados e desaparecem com eles abertos.

2.  Hiperventilação ou hiperpnéia— É pedido ao paciente que respire seguida e rapidamente por alguns minutos. É um recurso valioso no desencadeamento clínico das crises de ausência permitindo também que surjam, no traçado, as alterações típicas dela. Durante a hiperpnéia e em pessoas jovens, é comum (e normal) uma certa lentificação do traçado (aparecimentos de ondas lentas).

3.  Sono— Existem alterações que aparecem com mais facilidade durante o sono, por ex., as alterações iniciais que surgem na EPBI pois, no começo, podem surgir somente durante o sono.

Fotoestimulação— Consiste em submeter o paciente a um estímulo luminoso intenso, intermitente (10 a 20 lampejos por segundo) por meio de uma lâmpada estroboscópica. É de grande aplicação nos pacientes sujeitos a abalos mioclônicos. Muita gente descobriu que era convulsivo nos embalos e no lampejar das discotecas.

2.  Percussão dos pés e das mãos com martelinho de borracha— É muito útil para a obtenção de pontas evocadas (pela percussão) nas EPBI.

Observações— (1)  Como regra geral a anormalidade eletrencefalográfica não permite saber o que está produzindo a alteração, isto é, o porquê da anormalidade.  (2)  30 a 40% dos epilépticos possuem EEG normal. (3) Estima-se que 1% da população tenha EEG alterado mas sem crises, isto é, sem epilepsia.

Autor Dr. Paulo Bearzoti

Comments

One Response to “Eletroencefalograma”
  1. Laura Cavalcanti disse:

    Boa tarde!

    Gostei da matéria, gostaria que puplicassem mais e com imagens de traçado alguns exames EEG

    att,

    Laura

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